Harmonia

Formação de Acordes

Não seria bom se você pudesse entender o significado aprofundado das nomeclaturas que vemos nos nomes dos acordes, em vez de só decorarmos a digitação daquele acorde? (ou seja como colocamos os dedos no instrumento) O que significa, por exemplo, A7(b13)? Muitos decoram como se faz esta posição no violão ou no teclado, mas não sabem porque este acorde tem este nome. É exatamente sobre isto que quero começar a escrever na nossa seção de Teoria Musical do nosso site. Inauguramos, assim, uma série de artigos sobre teoria musical, começando então pelo tema cifras e formação dos acordes. Não foi por acaso que escolhi começar por este tema, já que comercializamos nosso produto Cifracil - Editor de Cifras, que auxilia bastante você a trabalhar com todo o seu material cifrado.

Vamos lá pessoal! Para começarmos a entender um pouco do assunto, é importante começarmos falando sobre os intervalos musicais.

O Sistema de 12 sons ,divididos em partes iguais, onde temos 7 notas naturais (do,ré,mi,fa,sol,la,si) e 5 acidentadas (utilização de sustenidos e bemóis) , utilizadas no Sistema da musical ocidental, conhecidos como escala temperada, remonta a evolução da música ao longo da história. Este sistema foi criado por volta do século XV, com o objetivo de permitir que qualquer música fosse tocada em qualquer tom e por qualquer combinação de instrumentos. O músico de renome quem utilizou esta nova escala musical foi Bach, compondo 48 peças (no chamado cravo bem temperado) utilizando-se de todas as tonalidades. Sabemos que as notas musicais são produzidas por movimentos de corpos vibratórios. Por exemplo, quando você toca uma corda solta do violão, observe que ela se movimenta de um lado para o outro determinado número de vezes por segundo, emitindo um som. Este movimento consiste na vibração que produz o som e é medido em Hertz. Quanto maior ou menor o número de vibrações por segundo, mais agudo ou grave será o som. E quanto maior a amplitude do movimento vibratório, maior será a intensidade do som. Neste sistema de notas constituídas de 12 sons, como já falamos, foi constituída de 12 partes iguais. Cada parte demos o nome de semi-tom. Então na escala temperada a menor distância entre uma nota e outra consiste em 1 semi-tom. E intervalos musicais equivale a distância que existe entre uma nota e outra. No braço do violão por exemplo, temos os trastes (aquelas pecas de metal, que dividem o braço em varias partes, que são as chamadas casas do violão). Cada casa do violão faz a nota andar em 1 semi-tom em relação a casa anterior. Já no piano a distância de 1 semi-tom pode ser vista passando de uma tecla branca pra uma preta, ou de uma branca para outra branca , nos casos , em que elas não tem uma preta entre elas. Vamos então analisar estes 12 sons. Então temos as notas mais conhecidas popularmente que receberam o nome de notas naturais. São elas as 7 notas: dó, ré, mi, fá , sol, la, si. O intervalo entre elas, ou seja , o quanto devemos andar pra chegarmos na próxima nota, não são iguais. Temos entre elas intervalos de 1 semi-tom e intervalos de 1 tom. 1 tom = (1 semi-tom + 1 semi-tom). Ora , um tom equivalem ao intervalo 2 semi-tons. Analisemos os intervalos que existem entre as notas naturais e vejamos como chegaremos nas 12 notas da escala temperada. Falando em escala, vamos definir este termo como sendo uma serie de sons ascendentes (notas indo do grave pro agudo) ou descendente (notas vindo do agudo para o grave) na qual o último som será a repetição do primeiro uma oitava acima ou uma outava abaixo. Uma oitava ? O que é isto ? É um intervalo. Uma distância medida entre uma nota e outra. Vamos contando comigo, na sequência das notas naturais. Dó Ré Mi Fá Sol La Si Dó. De um Dó a outro contamos 8 notas. O Primeiro dó é mais grave que o segundo Dó. Lembremos que depois da nota sí começamos a mesma sequência de notas do dó ao si, só que agora mais agudos que a sequencia anterior.  Veremos que existem escalas chamadas maiores ou menores. Abaixo estaremos analisando a escala em Dó Maior. Se a escala é em Dó, então já sabemos que ela começa com a nota dó. Se fosse uma escala em Ré, então começaria com a nota ré e terminaria no outro ré, mais agudo que o primeiro, ou seja uma oitava acima. As escalas em Mi, Fá , etc seguem esta mesma regra.

Abaixo você pode observar que  entre o nome das notas coloquei a distância entre elas (em verde ou vermelho) ou seja os intervalos que existem entre uma nota e outra:

1 Tom Re 1 Tom Mi 1 Semi-Tom 1 tom Sol 1 tom La 1 tom Si 1 semi-tom Do.

Ora, há intervalos entre notas que são de 1 tom (os verdes) e entre outras notas que são de 1/2 tom (os vermelhos), ou seja, 1 semi-tom.

Por exemplo, se estou tocando a nota dó e quero chegar na nota ré preciso andar 1 tom ou 2 semi-tons. Então que nota existe quando ando 1/2 tom apenas entre estas duas notas? São as notas alteradas. Ai surgem os sinais # - sustenido e b - bemol. O símbolo #(sustenido) aumenta a nota atual em 1 semi-tom ou meio tom. E símbolo b (bemol) diminui a nota em 1/2 tom ou 1 semi-tom. Hum! então se eu pegar o dó e colocar um # nele temos a nota 1/2 tom acima chamada dó# (dó sustenido)? Sim. A nota dó sustenido não tem a mesma frequência em Hertz da nota dó, portanto não são a mesma nota. E se pegarmos a próxima nota natural ré e colocarmos o b (bemol)  nela temos uma nota 1/2 tom abaixo de ré ou seja o ré bemol. Note que a nota do sustenido e ré bemol são a mesma nota, tem a mesma frequência em Hertz. Ou seja, vão soar iguais no seu ouvido. Então, vamos montar então a escala temperada com seus doze sons:

dó#

réb

ré#

mib

mi

fá#

solb

sol

sol#

láb

lá#

síb

si

Acima temos as 12 notas, do Dó ao Si, e repetí o dó apenas para mostrar que existe meio tom entre si e o dó, portanto este nota não é o 13.o som porque é o dó 1. oitava acima.

 

Notas no piano
Podemos ver na figura ao lado as notacs no piano com os 12 sons da escala temperada. As notas alteradas estão todas nas teclas pretas (as notas sustenidas ou bemois). A explicação de porque há duas teclas brancas juntas sem uma tecla preta agora fica fácil entender. Como do Mi pro Fá temos apenas meio tom, não temos uma tecla preta entre elas. A mesma coisa ocorre entre o Si e o Dó. Assim se falarmos em que uma nota é um Si # caimos na nota dó. Ou um Do bemol tocariamos na nota Si. Já entre todas as outras notas há uma tecla preta porque para chegarmos até a próxima nota natural temos uma nota passar por uma nota intermediaria alterada.
Notas Braço do Violão Como você poderá perceber, também será fácil encontrar as notas no violão. Sabendo que na sua afinação padrão, tocando as cordas soltas de cima pra baixo temos as notas MI LA RE SOL SI MI, como mostrado na figura ao lado fica muito fácil achar as notas seguintes. Da corda solta para a primeira casa, de qualquer corda, nós caminhamos 1 semi-tom. Andando de casa em casa também gastamos a mesma distância de 1 semi-tom.  Então se apertamos o dedo na sexta corda primeira casa, andamos meio tom da nota MI até o Fá, afinal já sabemos de antemão que entre o mi e o fá o intervalo é apenas de 1 semi-tom. Apertando o dedo na próxima casa temos o fá sustenido, pois entre o fá e o sol a distancia é de 1 tom, então temos entre o fá e o sol a nota fá# ou se preferir dizer , o sol bemol, que consiste na mesma nota com dois nomes diferentes. Então basta lembrarmos sempre dos intervalos entre as notas naturais de dó a si que acharemos sempre a próxima nota no braço do instrumento. É mais fácil decorar assim: os semi-tons entre as notas naturais ocorrem apenas entre mi-fa e si-dó. Pronto, entre as outras notas o intervalo é sempre de 1 tom, ou sema temos uma nota alterada # ou b.

Agora já temos alguma base para entender que Acorde é uma combinação de sons simultâneos ou sucessivos quando arpejados. E as cifras são os símbolos criados para representar os acordes. Estes símbolos são compostos por letras, números e sinais. Há alumas convenções que precisamos saber para entender as cifras. Nas cifras substituímos os nomes Lá,Si,Dó,Ré,Mi,Fá e Sol pelas primeiras letras, maiúsculas, do alfabeto, respectivamente. Então temos A = La, B = Si, C = Dó, D = Ré, E = Mi, F = Fá e G = Sol. Acordes maiores são representados apenas pela letra maiúscula, como por exemplo: C = Dó maior. Os acordes menores recebem um "m" na frente da letra, como Am = Lá menor. Alguns em vez de usarem o "m" utilizam o sinal -, que é aceitável também. Eu prefiro utilizar o "m".  Os sinais de alteração das notas sustenido # e bemol b aparecem imediatamente depois da letra maiúscula indicando a nota fundamental (baixo ou bordão) alterada, como por exemplo:C# = Dó # maior, podendo, também, aparecer antes do número que indica o grau a ser alterado. O Grau da escala são números romanos colocados sequencialmente em cada nota da escala. Voltemos ao exemplo da escala de Dó maior.

I Grau

Tônica ou Fundamental

1

II Grau

Supertônica

2M

III Grau

Mediante

3M

IV Grau

Subdominante

4J

V Grau

Dominante

5J

VI Grau

Superdominante

6M

VII Grau

Sensível

7M

VIII Grau

Tônica 1 oitava acima

8

Mi Sol Si

Então , como dizíamos acima, o # e b podem aparecer alterando um grau, como por exemplo o acorde C7(#9) = Dó com Sétima e Nona Aumentada. Nona ? Sim, se a oitava é a repetição da nota do primeiro grau da escala, neste exemplo usando a escala de Dó Maior, então a nona é o segundo grau da escala uma oitava acima, que neste caso seria o Ré. E #9 então, neste caso representaria o Ré#. Assim podemos dizer que quando você vê na cifra um acorde C7(13) , então 13 representa a nota do Sexto Grau oitavada, que no caso da escala de Do Maior seria a nota Lá. Acordes com 11, como C7(11), seria o quarto Grau uma oitava acima, no caso da escala em Dó Maior seria a nota Fá.

Poderíamos dizer então que a cifra é uma linguagem, um tipo de notação musical, que informa para o leitor a estrutura do acorde que está sendo feita. Através do estudo de sua simbologia e suas regras de sintáxe, poderemos então descobrir quais notas formam o acorde que ela esta representando. Escalas e Intervalos musicais é a chave para podermos entender como a cifragem representa as notas do acorde que ela esta representando. Por isto venho falando deste assunto, para dar o embasamento necessário a você, leitor amigo, para que entenda o processo de formação de acordes e representação dos mesmos através das cifras.

Vamos continuar então nossos estudos aprofundando um pouco mais.

A escala em Dó Maior é considerada a escala modelo por não conter notas alteradas (# ou b) na sua formação.

Para construir a escala Maior nas demais alturas , ou seja Re Maior, Mi Maior, Fá Maior, etc, basta aplicarmos as outras escalas as mesmas regras contidas nos intervalos de tons e semi-tons, utilizadas na escala de dó maior. Então teremos que conserva o intervalo de meio tom entre os graus III e IV e os graus VII e VIII e nos demais graus teremos que ter 1 tom entre as notas de um grau para o outro. Compliquei ? Xiiiii ! Não se preocupe, vamos explicar com um exemplo prático. Vamos montar a escala de Ré Maior.

I Grau

Tônica ou Fundamental

1

II Grau

Supertônica

2M

III Grau

Mediante

3M

IV Grau

Subdominante

4J

V Grau

Dominante

5J

VI Grau

Superdominante

6M

VII Grau

Sensível

7M

VIII Grau

Tônica oitavada

8

Re Mi Fa# Sol La Si Dó#
I pro II Grau = 1 Tom II pro III Grau = 1 tom III para o IV Grau = 1/2 tom IV para o V = 1 tom V para o VI = 1 tom VI para o VII = 1 tom VII para VIII = 1/2 tom

 

Vamos analisar o que foi feito na escala de Re Maior. A regra do modelo de qualquer escala maior, esta na terceira linha da nossa tabela. Como dissemos, a escala de dó maior é considerada padrão porque não precisou de qualquer acidente (# ou b) para obtermos os 8 graus da escala, mas as outras escalas precisam de adaptações para manter os intervalos do modelo maior entre os graus consecutivos deste modelo de escala. Analisemos , pois, detalhadamente o que foi feito para seguirmos o modelo de escala maior. Se estamos, na escala de Ré maior, o primeiro grau da escala é Re, e então quando estamos montando a escala o primeiro passo a fazer seria escrever Ré Mi Fa Sol La Si Do Ré. Pronto , temos os 8 graus ai representados por suas notas. Mas esta escala de re maior ainda não esta correta porque, as notas estando desta forma não estão cumprindo as regras corretas dos intervalos do modelo de escala maior. Do primeiro para o Segundo Grau precisamos de 1 tom. Correto, de Re para Mi temos um 1 (Re Re# Mi) . Já do II Grau para o III precisaríamos de 1 tom, mas sabemos que a nota Mi para chegar em Fá usa apenas um semi-tom. Então tivemos que colocar o # nela para que do segundo para o III grau tivéssemos 1 tom. Do Terceiro para o Quarto grau precisamos de meio tom, e com este ajuste que fizemos não precisamos mecher aí porque de Fá# (III Grau) para o Sol (IV Grau) precisamos de 1/2 tom e o intervalo destas duas notas obedecem a esta regra. IV grau da escala de ré temos o Sol e V o Lá, ja temos 1 tom entre eles e estamos corretos. Mesma coisa do V para o VI Grau - La para Si = 1 tom. Correto. Do Vi para o VII Grau precisariamos de 1 tom e por isto colocamos o # no Dó, porque de Si pra Do temos so 1/2 tom, se colocamos um sustenido no Dó passamos a ter 1 tom, que é a regra correta deste intervalo. Do VII Grau para o VIII ficamos corretos, porque precisamos de 1/2 tom e ja temos meio tom de Dó# para Ré.

Vejamos um caso interessante analisando a escala de Fá Maior.

I Grau

Tônica ou Fundamental

1

II Grau

Supertônica

2M

III Grau

Mediante

3M

IV Grau

Subdominante

4J

V Grau

Dominante

5J

VI Grau

Superdominante

6M

VII Grau

Sensível

M

VIII Grau

Tônica oitavada

8

Sol La Sib Mi
I pro II Grau = 1 Tom II pro III Grau = 1 tom III para o IV Grau = 1/2 tom IV para o V = 1 tom V para o VI = 1 tom VI para o VII = 1 tom VII para VIII = 1/2 tom

Em vez de usarmos # para adequar as notas ao modelo maior , a solução foi usar um b no IV Grau, no nota Si. Do Terceiro para o Quarto grau , sabemos que precisamos de 1/2 tom então colocamos um b no sí ficando o 1/2 tom de Lá pra Si bemol e mantendo ao mesmo tempo um tom de Si bemol para Dó (IV para V grau) . Do VII para o VIII grau não precisamos mecher porque de Mi para Fá ja temos naturalmente o 1/2 tom que precisamos. 

Então, meus amigos, utilizando esta regra matemáticas definida no modelo maior, na relação de tom e semi-tom achamos qualquer escala maior, variando as Tônicas, começando da nota que quisermos.

Agora que sabemos como montar as escalas maiores e temos uma noção sobre intervalos e graus das escalas apresentaremos abaixo uma tabela contendo o nome dos intervalos a partir da nota fundamental. Neste exemplo, como a escala modelo na modalidade maior é o dó, utilizaremos a escala de Dó maior e seus intervalos. Vamos conhecer todos os intervalos e seus símbolos , ou seja, como utilizamos os símbolos dos graus nas cifras. Então a partir daí saberemos interpretar as cifras e acharmos as notas de qualquer acorde. Gostaria de ressaltar apenas que não existe um padrão de simbologia mundial para cifras. Isto é uma pena ! Enquanto que a notação mundial em relação as normas para escrita de partituras são padronizadas mundialmente, ou seja, se eu escrever uma partitura e mandar pros Estados Unidos, será lida sem qualquer problema de interpretação da leitura, já não podemos dizer a mesma coisa da cifragem , pois , sua simbologia ainda não esta padronizada mundialmente. Então enquanto o intervalo de Sétima Maior pode receber o símbolo de 7M aqui no Brasil , nos USA pode ser vista com 7th Major, é comum vermos também este intervalo representado por 7+. Eu considero o trabalho do autor brasileiro Almir Chediack o melhor que já vi. E foi ele que utilizei para que o nosso software editor de cifras, cifracil, pudesse interpretar as cifras e encontrasse os acordes no dicionário de acordes dele. Uma das coisas que gosto no padrão chediack é que quase não temos intervalos subintendidos. Tem autor que ao cifrar C13, já considera que a sétima esta implícita. Eu não gosto disto. Acho melhor o cara escrever o que o acorde tem. Intervalo implícito é terrível. Se eu fosse considerar isto, quando o cara digitasse no nosso editor C13 , como ia saber se eu buscaria o acorde C13 ou C7/13? Por isto gosto do padrão chediack. Se ele quer o intervalo na cifra , o intervalo esta escrito la. Se ele não escreveu é porque não tem. Vamos ao nosso quadro então para que possamos continuar explicando como interpretar a cifra e achar as notas do acorde.

Notas Intervalos Enarmonia Sinais Nome
1


Reb 2m
b9 nona menor
2M
9 nona
Ré# 2aum Enarmônico #9 nona aumentada
Mib 3m Enarmônico m menor
Mi 3M

maior
4j
4 ou 11 quarta justa ou Décima primeira justa
Fá# 4aum Enarmônico #11 décima primeira aumentada
Solb 5 dim Enarmônico b5 quinta diminuta
Sol 5 j

quinta justa
Sol# 5 aum Enarmônico #5 quinta aumentada
Láb 6m Enarmônico b6 ou b13 sexta menor ou decima terceira menor
6M Enarmônico 6 ou 13 sexta ou decima terceira
Sibb 7 dim Enarmônico o ou dim sétima diminuta
Sib 7
7 sétima menor
Si 7M
7M ou maj7 sétima maior

* Enarmonia é a situação em que nomes diferentes são dados a uma mesma nota. Exemplo: Re# e Mi b , como já dissemos antes são a mesma nota , mesma frequência em Herz, apenas com nomes diferentes.

Deste quadro poderemos tirar varias conclusões. Para as regras de Tons e Semi-tons que devemos utilizar na escala maior nós obtemos em cada grau os seguintes intervalos:

Grau I Grau II  Grau III Grau IV Grau V Grau VI Grau VII Grau VIII
Intervalo 2M 3M 4J 5J 6M 7M 8

Aprendemos aqui , por exemplo, a entender os intervalos. Por exemplo. Quando alguém lhe falar: "Neste trecho da música cantada pela dupla sertaneja, fulano utilizou uma terça". Imaginemos que o cantor A estava cantando a nota Dó e o cantor B um Mi. Ora, parti do Dó e cheguei no Mí - terceira nota. Sei que é uma terça. Se tivesse chegado no Fá, ele teria chegado na quarta nota, então seria uma quarta, e assim por diante em relação aos outros graus da escala. Mas quando entendemos que o cantor estava fazendo uma terça teremos que ver se era uma terça maior ou terça menor. Porque , pelo quadro , faça as contas ai, sabemos que uma terça maior tem 2 tons e uma terça menor 1 tom e meio. Então se o cantor B entoou um Mi ele fez uma terça maior e  se ele fez um Mi bemol era uma terça menor. Outra forma alternativa de chegarmos na mesma nota é sabermos que , pelo quadro de Graus e Intervalos, a terça que achamos, o MI é a terça Maior. Para se conseguir intervalos menores basta abaixar os Maiores em Meio Tom. Então chegaríamos a Mi bemol. Isto serve pra qualquer tonalidade. Montamos o quadro utilizando a fundamental em Dó para facilitar o aprendizado. Então pra interpretar qualquer cifra, poderíamos começar montando a escala usando a tônica, primeiro grau, da nota em questão, com a qual começamos o acorde. Se o acorde fosse F7. A tônica seria o Fá. Mas veremos alguns exemplos logo mais. Vamos emitir mais alguns conceitos antes.

Não desanime amigo ! com mais algumas poucas regras e entenderemos muito bem , como interpretar as cifras. Ora, os sinas apresentados, nas tabelas acima, são justamente os sinais utilizados nas cifras. Não perca esta tabela de vista ! Estamos perto da linha de chegada ! Vamos lá. 

Acordes formados por 3 sons, ou seja, 3 notas, são denominados tríade. Já dissemos que quando colocamos só a letra da cifra , como em C, por exemplo, estamos falando do acorde maior. Então já podemos pensar na tríade, que será formado pelos intervalos Tônica ou fundamental + Terça Maior + Quinta Justa. Então no caso vemos escrito o acorde C, basta montarmos a escala de Dó Maior e pegarmos as notas Do (Tônica) Mi (Terça Maior) e Sol (Quinta Justa). Imagine que o acorde fosse um Re maior ou seja D. Quais seriam as notas ? Monte a escala de Re maior e pegue os intervalos Tônica, Terça Menor e Quinta Justa. Um pouco mais acima nós montamos a escala de Re Maior. Isto pode facilitar você entender as notas que estamos pegando aqui. Neste caso seria Tônica Ré + Terça Maior Fá# e Quinta Justa La.

Se fosse um Cm (dó menor)? Aí teríamos que adicionar mais uma regra bem simples. Para achar um acorde menor abaixe em meio tom o intervalo de Terça Maior. Então em vez de pegarmos a Terça Maior , pegamos o intervalo de Terça menor. Então mãos a obra. O Acorde de Cm - dó menor é formado pelas notas : Tônica Dó Terça Menor Mi bemol e Quinta Justa Sol. Pronto ! Só mudamos a terça Maior para Terça Menor e Plim Plim ! Aí esta a mágica. E o Ré menor ? Fácil ! Pegamos as notas do Ré maior e apenas mudamos o Fá# descendo meio tom, virando Fá. Então Ré Menor seria Ré Fá e Lá. 

Ainda existe a tríade diminuta representado pela bolinha parecendo um "o" na parte superior a frente da Letra da nota do acorde. Esta estrutura é formado pela Tônica + Terça Menor + Quinta diminuta. No caso da Dó diminuto, teriamos :Dó (Tônica) + Mi bemol (Terça Menor) + Sol bemol (Quinta Diminuta). Ainda é comum ao montarmos o acorde diminuto acrescentarmos à tríade o intervalo de sétima diminuta, que neste caso seria a nota Lá.  A diminuta é mais comum de ser usada em um acorde de 4 sons e não 3 sons. 

Por fim teríamos a tríade com quinta aumentada , como no acorde de C(#5), por exemplo. Teríamos então a estrutura: Tônica Dó + Mi Terça Maior + Sol#  quinta aumentada. 

Se quisermos acrescentar o intervalo de nona na tríade, teríamos a Tríade com Nota Acrescentada. Exemplo: C(add9) . Muito fácil gente ! Se temos C, já sabemos que temos ai uma tríade maior. Então pegamos grau I , III e V da escala maior, sendo então Tônica Dó + Terça Maior Mi + Quinta Justa Sol e acrescentaríamos a nôna, que é o II grau oitavado, que neste caso então é um Ré. Afinal temos Dó , primeiro grau e Ré segundo grau. A nôna é a nôna nota da escala de Dó. Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si Do Re. Fácil né !

Temos também os acordes com 4 sons, as tétrades.

O exemplo clássico seriam os acordes com sétima. Geralmente nos referimos a acordes de sétima menor falando apenas sétima. Porque sabemos que quando a sétima é Maior - 7M - aí costumamos deixar claro : Sétima Maior. Então , se omitimos o Máior é porque trata-se de Sétima Menor.

Vamos montar Dó com Sétima. C7. Se temos C , já sabemos que pegamos Tônica, Terça Maior e Quinta Justa, respectivamente Dó, Mí, Sol. Aplicando as regras dos intervalos de tons e semi-tons, vimos em um pequeno quadro abaixo do quadro e intervalos, que a nota do sétimo grau que achamos ali é a Sétima Maior. Mas queremos o intervalo de sétima menor. Então guarde a seguinte regra: Para se obter um intervalo menor, abaixe o maior em meio tom. Então temos sí = 7M e vamos baixar meio tom e teremos si bemol como sétima menor. Mais duas regras importantes. Para se obter intervalos diminutos abaixe um semi-tom dos justos ou menores. Elevando-se em meio-tom os justos e maiores obtém intervalos aumentados.

Demais acordes de 5, 6 ou mais sons , são acordes de quatro sons com notas acrescentadas.

Vamos brincar um pouco mais. O Acorde C7(b9) é formado por quais notas ?

Vamos la. Temos C. Montamos a escala de Do Maior, achando os intervalos T(tonica) 2M 3M 4J 5J 6M 7M

Então pegamos a tríade de Dó. Tonica Do + Terça Maior - Mi + Quinta Justa Sol + Si bemol (sétima menor) + Re bemol (Nona menor)

O caso do Si, já foi explicado. Na montagem dos Intervalos do modelo maior , a nota que esta no sétimo grau é uma Sétima Maior.

Para conseguir sétima menor abaixamos em meio tom. Já no caso da nona, sabemos que é a segunda Maior oitavada . Do re Mi Fa Sol La Si Do Re. Contou 9 notas ai ? Como esta nona é 2M ou nona maior temos que abaixar meio tom, porque queremos um intervalo menor e não maior. Então teremos Nona Maior = Re e Nona Menor = Ré bemol.

Lembram do primeiro acorde do nosso artigo , que citamos la no início ? Queríamos entender o acorde A7(b13). Agora você já tem condições de encontrar as notas deste acorde. Vamos fazer nova análise como exercício, para fixarmos o nosso aprendizado. Mãos a obra.

Bem, Estamos falando do Lá com alguma coisa, pois a letra inicial é A. Vamos montar a escala de Lá Maior para podermos achar Graus e intervalos e podermos então chegarmos nas nossas notas descritas na cifra.

I Grau

Tônica ou Fundamental

1

II Grau

Supertônica

2M

III Grau

Mediante

3M

IV Grau

Subdominante

4J

V Grau

Dominante

5J

VI Grau

Superdominante

6M

VII Grau

Sensível

7M

VIII Grau

Tônica oitavada

8

La Si Dó# Mi Fá# Sol#
I pro II Grau = 1 Tom II pro III Grau = 1 tom III para o IV Grau = 1/2 tom IV para o V = 1 tom V para o VI = 1 tom VI para o VII = 1 tom VII para VIII = 1/2 tom

Para garantirmos as regras dos intervalos de tons e semi-tons da escala maior precisamos de colocar o # no Dó para que do II para o III grau conseguíssimos 1 tom do si pro do# e para que do III para o IV grau conseguíssimos meio tom, que ficou de Dó sustenido para Ré. Do V pro VI grau conseguimos um tom utilizando # no fá, assim temos um tom entre mi e fa#. Tivemos que manter o # no sol para manter um tom do VI Grau Fá # para o Sétimo Sol# e ao mesmo tempo termos meio tom do sétimo pro oitavo, tendo o intervalo Sol# para Lá.  Com a escala montada podemos começar a trabalhar. Vamos montar a tríade maior pegando Graus I, III e V com as respectivas notas La + Do# + Mi. Temos ai o A . Precisamos da sétima menor , o 7. Sol # é a sétima Maior, então baixamos ela em meio tom e chegamos na sétima, o Sol. O 13 é o sexto grau uma oitava acima. Então o 13 seria a nota Fá#, mas a cifra colocou b13 , então vamos baixar meio tom e chegamos na nota Fá.

Então vamos mostrar este acorde através do desenho de uma digitação deste acorde montada através do nosso software Cifracil - Editor de Cifras, que vendemos aqui na nossa loja virtual.


Veja como o cifrácil mostra pra você,logo abaixo do acorde ,cada nota  que está sendo feita em cada corda. E ele 



Vimos aqui que a cifra nos dá a informação de quais notas formam determinado acorde, porem, na cifra não temos qualquer informação de qual digitação usaremos para aquele acorde. Afinal , podemos fazer um mesmo acorde de mais de uma maneira no braço do instrumento. O Cifracil mostra pra você outras possibilidades de digitação para um mesmo acorde. Assim quando você está montando uma pagina cifrada, poderá escolher qual digitação será mostrada no seu documento cifrado.



Acordes Invertidos

Para finalizar este artigo gostaria de tratar rapidamente sobre os acordes invertidos. Quando temos um acorde onde a terça ou quinta ou sétima estão ocupando a nota mais grave, fazendo a função de baixo temos os acordes invertidos respectivamente na primeira,segunda e terceira inversão. A cifra do acorde invertido é representada em forma de fração, onde o numerador indica o acorde e o denominador a nota do baixo. Veja os exemplos abaixo feitos no Cifracil:


No acorde C/G temos um acorde de segunda inversão com a quinta no baixo - Nota Sol, através da nota sol.

Em Seguida temos Cm/Eb, onde temos a terça menor no baixo - Nota Mi bemol, um acorde de primeira inversão.

Finalmente temos o acorde Cm/Bb , onde temos a Sétima no Baixo - Sí bemol no baixo, num exemplo de terceira inversão.

 

Esperamos que vocês tenham gostado do nosso primeiro artigo sobre formação de acordes. Harmonia, que consiste no ramo da música que estuda o encadeamento de acordes, suas regras e tudo mais, é um tema muito amplo. Pretendemos continuar a publicar outros conhecimentos de harmonia nesta seção do site. 

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